A música dos Smiths sempre dividiu opiniões entre fãs e críticos, mas todos concordam em um ponto: a melancolia é uma marca registrada da banda. Embora algumas canções mesclem letras tristes com melodias animadas, criando um tom irônico e até divertido, há faixas que mergulham sem reservas na escuridão emocional. Entre elas, “Asleep” é frequentemente citada como a mais sombria.

Com versos como “Sing me to sleep / And then leave me alone / Don’t try to wake me in the morning / ’Cause I will be gone”, a canção se destaca até mesmo dentro do repertório dos Smiths pelo tom abertamente depressivo. A própria história da banda reforça isso: “Asleep” foi apresentada ao vivo apenas uma vez, e relatos apontam que Morrissey terminou a performance em posição fetal.
Pesquisas sobre a relação entre música e humor ajudam a explicar esse impacto. Músicas com andamento rápido, acordes maiores e estruturas familiares costumam melhorar o humor, caso de “Good Vibrations”, dos Beach Boys, frequentemente citada como uma das canções mais felizes já compostas. Em contrapartida, músicas lentas, melancólicas e cheias de acordes menores tendem a conduzir a estados mais introspectivos e melancólicos.

Ao contrário de faixas que equilibram tristeza e beleza, como “Fade Into You” do Mazzy Star, “Asleep” não oferece alívio ou contraste. Sua melodia arrastada e letra direta convidam o ouvinte a abraçar o peso da própria tristeza, intensificando sentimentos de solidão e resignação. É esse mergulho sem saída que a torna uma experiência emocionalmente difícil de repetir.
Em vez de oferecer catarse, “Asleep” nos deixa com um eco silencioso de derrota e introspecção, algo que, para alguns, pode ser terapêutico mas, para outros, apenas doloroso demais para revisitar.